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Bairro de São Paulo, Valletta: A Rua Strait Depois de Escurecer e a Cidade por Trás Dela

Guia de bairros de Valletta

Bairro de São Paulo, Valletta: A Rua Strait Depois de Escurecer e a Cidade por Trás Dela

Uma rua apelidada de 'The Gut' agora abriga os melhores jantares, bares em porões e agitação noturna de Valletta, com igrejas, mercados e vielas laterais ainda fazendo o trabalho silencioso da cidade mais antiga.

A Strait Street tem apenas quatro metros de largura, mas sempre se comportou como um personagem muito maior: tortuosa, barulhenta, opinativa, impossível de ignorar. De dia, pode parecer quase sonolenta, com as persianas abaixadas e as fachadas de pedra cor de mel se acotovelando num beco que mal dá para um carro passar; à noite, o mesmo trecho fica com meia-luz e social, com banquetas empurradas para os degraus e o som do jazz escapando pelas portas. Este é o Bairro de St. Paul's, em Valletta, o lado mais desleixado e chique da cidade, onde a antiga rua da guarnição chamada The Gut se tornou o lugar onde as pessoas vêm para comer, beber e vaguear sem precisar de táxi entre as paradas. É compacto o suficiente para atravessar em minutos, mas tem a densidade vivida de alguém que sabe exatamente o que é.

Pelo que o Bairro de St. Paul's é conhecido

O bairro leva o nome da Igreja do Naufrágio de São Paulo, na Rua St. Paul, e isso é um bom ponto de partida, porque Valletta gosta da sua história com um pouco de teatro e esta igreja tem os adereços certos. Projetada por Girolamo Cassar e concluída em 1582, é uma das igrejas mais antigas da cidade. No interior, as relíquias são do tipo que fazem você baixar a voz: o suposto osso do pulso direito de São Paulo, colocado num antebraço de bronze dourado, e parte da coluna de mármore na qual o apóstolo teria sido decapitado em Roma, um presente do Papa Pio VII em 1818. A festa de fevereiro ainda enche estas ruas, o que é um lembrete interessante de que este bairro não é apenas uma faixa noturna que herdou uma igreja; é uma vizinhança cuja vida pública tem sido cerimonial há séculos.

Igreja do Naufrágio de São Paulo na Rua St. Paul, Valletta, com fachada barroca e praça tranquila em luz suave do dia

Mas a rua que dá ao bairro o seu pulso moderno é a Strait Street. Durante meio século, dos anos 1920 até a retirada britânica, esta foi a rua da vida noturna da guarnição — salões de música, bares e pensões que serviam marinheiros americanos e britânicos, que a chamavam de The Gut. Depois foi fechada nos anos 1970 e deixada a deteriorar-se, que é o tipo de pausa urbana que pode matar uma rua ou dar-lhe tempo para se tornar interessante novamente. A Strait Street escolheu a última opção. Na última década, foi ressuscitada como o coração noturno de Valletta, e os velhos ossos ainda estão lá se você souber onde olhar: letreiros vintage, interiores com estilo dos anos 1920, degraus estreitos e a confiança ligeiramente libertina de uma rua que se lembra de ser famosa.

Strait Street em Valletta ao entardecer, beco estreito de pedra cor de mel com letreiros vintage, calçada em degraus e luz quente saindo de bares em caves

A comparação que as pessoas fazem — Soho, Kreuzberg — não é totalmente absurda, se ignorarmos a escala. Valletta é pequena demais para arrogância no sentido continental, mas este bairro tem a mesma densidade de intenção: bares, caves, bistrôs, portas, vielas laterais, mais portas. O pico é de quinta a sábado, agita até tarde e depois diminui nas primeiras horas. É educado, não turbulento. Se você quer batida de clube e amanhecer, atravesse a água para Paceville. Aqui, o objetivo é o próximo copo e o próximo ambiente.

Onde comer e beber

O bairro supera absurdamente o seu tamanho na hora do jantar. O Aki, num porão elegante ao lado do edifício da Embaixada no 175 da Strait Street, é o lugar que mostra que Valletta não é um pensamento atrasado provincial. É japonês contemporâneo recomendado pelo Michelin, e a sala faz algo raro: todas as mesas viradas para a cozinha aberta, então a refeição tem o ritmo de uma pequena apresentação sem se tornar um circo. O tiradito de salmão, o rolinho de vieira e o bacalhau preto com miso Saikyo são os pratos destacados pelos inspetores, e os tacos de camarão local dão ao menu um toque maltês sem esforço. O truque é este — o bairro está cheio de lugares ambiciosos, mas os melhores sabem quando deixar o ego à porta.

Sala de jantar com cozinha aberta do Aki no 175 da Strait Street, Valletta, com balcão virado para os chefs e um prato japonês contemporâneo em primeiro plano

Para cozinha maltesa, o Palazzo Preca no 54 da Strait Street é o prazer mais antigo: um palácio do século XVI restaurado gerido pelas irmãs Preca, com peixe fresco, massa caseira e sobremesas flambadas finalizadas à mesa. Tem o tipo de ambiente que pode fazer um restaurante relaxar se quiser, mas o Palazzo Preca não relaxa. Baseia-se na parte de Valletta que ainda acredita que uma refeição adequada deve chegar com um pouco de cerimónia e um peixe que parece que estava a nadar esta manhã.

A alguns passos e alguns humores de distância, o Ortygia Food Experience no número 8 da Strait Street é a pequena sala siciliana gerida por uma família que ganha lealdade à moda antiga: com cannoli e massa de marisco, e preços que fazem você sentir que não foi roubado pelo ambiente. Cerca de €20 por pessoa é o número aqui, o que neste bairro parece quase rebelde. É o tipo de lugar aonde você vai quando quer comer bem e não pensar muito.

Depois, há o Legligin na Rua Santa Lucia, mesmo ao lado, que é a cave de culto para quem gosta de jantar como se fosse um segredo. Não há menu à la carte. Em vez disso, um menu de degustação maltês de pequenos pratos que muda diariamente — cinco pratos ao almoço, sete ao jantar — é servido com vinhos locais, cerca de €50 por pessoa, e tudo leva cerca de duas horas. Numa cidade que às vezes veste a sua herança para a câmara, o Legligin faz o oposto: cave de pedra à luz de velas, sem frescuras, sem teatro de menu, apenas a confiança tranquila de uma sala que sabe que a cozinha maltesa pode aguentar-se sem polimento extra.

Cave de pedra à luz de velas do Legligin na Rua Santa Lucia, pequenos pratos e vinho local numa mesa rústica sob abóbada de pedra

Para bebedores, a Strait Street é o roteiro de bares, e é civilizada da melhor forma possível. O Yard 32, no número 32, é o bar de gin original de Malta, com mais de 200 gins e 40 tónicos atrás do balcão, tapas para petiscar e banquetas nos degraus. Um voo de gin é a jogada de abertura óbvia, nem que seja para resolver a questão de quanto tempo planeia ficar. O lugar tem a lógica alegre de um bar que conhece o seu propósito e não precisa de gritar sobre isso.

Um pouco mais adiante na rua, o Trabuxu Wine Bar serve numa cave abobadada de 400 anos e é considerado o primeiro bar de vinho de Valletta. É aquele aonde você vai quando a noite precisa de um registo mais fresco e lento: garrafas maltesas e europeias, tabuleiros de queijos e enchidos, aconchegante no inverno e espalhando-se pela rua em degraus no verão. Essa cave importa. Em agosto, uma sala abobadada não é um floreio decorativo; é uma bênção.

![Trabuxu Wine Bar numa cave abobadada de pedra, garrafas de vinho, tabuleiros de queijos e enchidos, com uma rua em degraus mesmo ao lado]]></p>

Se a noite pede um pouco mais de invenção, o Alchemy no 92-94 da Strait Street tem a lista de cocktails mais inventiva da rua, com bebidas de assinatura que levam um ou dois dias a preparar e são servidas de quinta a domingo. É o tipo de bar que recompensa quem gosta de um menu com um pouco de mistério e um barman que pensou à frente.

O StrEat Whisky & Bistro aposta num visual dos anos 1920 e mantém mais de 200 whiskies à mão, juntamente com pratos gourmet. Não tenta ser radical; tenta ser bem-apresentado, o que muitas vezes é o melhor negócio. Perto dali, o Ta' Lonza no 67 da Rua Old Theatre é o local dos locais — cerveja artesanal e vinho, BrewDog de pressão, travessas generosas e um dono que gere a sala com carinho. E para um sussurro tarde da noite em vez de um grito, o The Little RED DOOR serve cocktails sérios e um tabuleiro montado por si a partir de 80 e tal queijos e frios. Esta é a frase do bairro: uma rua que passa do gin ao vinho, ao uísque e a um nightcap de speakeasy sem nunca se tornar clubística.

O que fazer / o que ver

A atividade emblemática aqui é quase insultuosamente simples: percorrer toda a extensão da Strait Street, todos os 665 metros, e fazê-lo duas vezes. Uma vez à luz do dia, quando a grandeza desbotada aparece e a rua parece um bairro operário com um problema de memória; uma vez depois de escurecer, quando os bares acordam e a rua se torna um desfiladeiro estreito de luz, música e pessoas a decidir onde sentar. Leia os letreiros vintage, entre por uma porta, continue. O bairro recompensa o caminhante sem pressa porque é construído a partir de pequenas perturbações — uma varanda, um degrau de cave, uma viela lateral, uma persiana entreaberta, um gato numa soleira.

Essa caminhada combina naturalmente com a Igreja do Naufrágio de São Paulo, que é mais sossegada que a Co-Catedral de São João a quarteirões de distância e muito melhor por isso. Há uma espécie de alívio em entrar numa igreja que não foi feita para representar para multidões. Você obtém a relíquia, o interior barroco, o peso do lugar, e depois volta para a rua e a cidade moderna recomeça.

Outra paragem útil é o Is-Suq tal-Belt, o mercado coberto vitoriano restaurado entre a Rua St. Paul e a Merchant Street, reaberto em 2018 como um food hall. Tem uma dúzia de bancas, alguns bares e um terraço, o que o torna útil a quase qualquer hora: um pastizz rápido, uma refeição sentada, uma pausa entre a igreja e o bar na cave. Valletta pode às vezes parecer uma cidade de decisões íngremes, mas o mercado é uma resposta prática à fome.

Para além das paragens nomeadas, o prazer do bairro é vaguear sem rumo. As vielas laterais escondem boutiques independentes, lojas vintage, pequenas galerias e as varandas de madeira fechadas que são uma das marcas silenciosas de Valletta. A grelha é compacta o suficiente para explorar numa tarde e ainda sentir que não a esgotou, que é o melhor tipo de bairro para um visitante: estrutura suficiente para se orientar, frouxidão suficiente para se perder agradavelmente.

Compras e mercados

Este não é o bairro para uma grande expedição de compras. As lojas de renome estão na pedestrianizada Rua República, a um ou dois quarteirões, e podem manter as suas montras polidas. O Bairro de St. Paul's é para a vista mais lenta, do tipo que acontece porque você viu uma porta aberta e pensou que podia espreitar. As vielas laterais da Strait Street recompensam esse impulso com boutiques independentes, algumas lojas vintage e de design, e pequenas galerias instaladas em antigos espaços de bar entre portas residenciais.

O Is-Suq tal-Belt também faz dupla função aqui. Debaixo do seu telhado de ferro e madeira restaurado, o mercado é tanto um lugar para petiscar como para abastecer, com produtos locais, queijos e snacks malteses à mão. É um dos poucos lugares no bairro onde você pode comportar-se como local e turista ao mesmo tempo sem mudar de rua.

Uma nota prática, porque Valletta gosta de ser charmosa e moderadamente inconveniente na mesma medida: a maioria das lojas fecha por volta das 19h, e o domingo é muito tranquilo. Se quiser fazer compras, vá numa tarde de dia de semana antes que os bares tomem conta das ruas.

Onde ficar no Bairro de São Paulo

Esta é uma boa base para quem planeja passar a noite comendo e bebendo em vez de voltar para casa. A acomodação aqui inclui hotéis boutique e guesthouses com design, instalados em townhouses e palácios restaurados, geralmente pequenos e cheios de personalidade, em vez de grandes marcas. Isso combina com o bairro. Não é um lugar para torres anônimas; é um lugar para escadas, paredes grossas e um quarto com vista para uma viela que já viu de tudo.

A contrapartida é o barulho. Um quarto de frente para a Rua Strait ouvirá os bares até tarde de quinta a sábado, então quem dorme leve deve pedir um quarto nos fundos ou em uma viela lateral mais tranquila, como a Rua São Paulo ou uma das ruas transversais. Os preços ficam na faixa média para Valletta, um pouco abaixo dos grandes hotéis palácio na Rua República. Espere estacionamento limitado ou inexistente, e prepare-se para terreno irregular, porque as ruas aqui são íngremes, com degraus e não têm muita consideração pelos seus tornozelos.

Onde ficar aqui

Hotéis em St. Paul's Quarter

Nossas estadias mais bem avaliadas neste bairro. Os preços são tarifas aproximadas “a partir de” — confirmadas com o provedor quando você continuar. Podemos receber uma comissão se você reservar por meio de nossos parceiros — sem custo extra para você.

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St. Paul's Quarter

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Como se locomover

Todo o bairro é percorrível a pé em dez minutos de ponta a ponta, o que significa que é caminhável no sentido vallettino: distâncias curtas, mas com degraus, ladeiras e a necessidade ocasional de olhar onde pisa. A cidade em si é uma península de pedestres, então dentro de Valletta você não precisará de transporte, só de sapatos decentes e um pouco de paciência.

O principal ponto de entrada é o City Gate, no topo da Rua República, a cerca de cinco minutos a pé. É onde converge a rede de ônibus da ilha, no terminal de Valletta, na vizinha Floriana, com rotas diretas para Sliema, St Julian's, Mdina, as Três Cidades e o aeroporto. Para a vida noturna além da Rua Strait, a balsa Sliema-Valletta é a travessia rápida e cênica pelo Porto de Marsamxett, cerca de €2,50 por trecho, e de lá você pode pegar um táxi para o curto trajeto até Paceville, se insistir em balada. O Aeroporto Internacional de Malta fica a cerca de 20 a 30 minutos de carro ou de ônibus direto.

Carros atrapalham mais do que ajudam aqui. Estacionamento é escasso, as vielas mal têm largura para um carro, e o bairro é feito para caminhar. Isso faz parte do charme... e do exercício.

Bom saber

St. Paul's Quarter — suas perguntas

O Bairro de São Paulo é uma boa área para ficar em Valletta?

Sim, se comida e atmosfera são o que importa. Você está a passos dos melhores restaurantes e bares da cidade, em pequenas estadias boutique dentro de townhouses restauradas. Só evite um quarto de frente para a Rua Strait se for dormir leve, porque a área fica animada de quinta a sábado.

Pelo que é conhecida a Rua Strait?

Foi o distrito da luz vermelha e dos music halls da guarnição britânica por décadas, apelidado de 'The Gut', antes de ser fechado nos anos 1970. Hoje é a principal faixa noturna de Valletta, com bares de gim, adegas, coquetéis e bistrôs, ainda ladeada por letreiros vintage dos anos 1920.

O Bairro de São Paulo é bom para a vida noturna?

Sim, para ir de bar em bar. A Rua Strait é a viela mais animada de Valletta, mas é civilizada, com bares de vinho e coquetéis, jazz, swing e blues, e não batidas de clube, e geralmente acalma nas primeiras horas da manhã. Para noites de clube, vá até Paceville.

O que devo fazer primeiro no Bairro de São Paulo?

Percorra a Rua Strait uma vez de dia e outra depois de escurecer. Acrescente a Igreja do Naufrágio de São Paulo e uma parada no Is-Suq tal-Belt, depois deixe que as vielas laterais e bares em porões completem o resto.